O Carnaval já passou, mas não me levou, eu estava tão longe de todo o batuque e colorido, mas não me senti infeliz por isso. O batuque esconde o barulho dos assaltos, do tráfico, das crianças que choram de fome de tudo. O colorido disfarça a chuva que leva a casa e a geladeira, deixando famílias sem nada. O Carnaval não me leva mais, não sei esquecer, não sei mais fingir. Não se trata de ser amarga, pelo contrário, sou feliz, mas não quero mais nehuma forma de exagero que me faça fugir. Não preciso de vendas, eu quero ver o velho que pede esmolas numa cadeira de rodas, não era para estar alí, fosse este uma país mais justo. Não preciso viajar de avião, eu quero passar de ônibus pelas favelas, porque alí está o real. Eu não uso mais a desculpa de que o animal foi feito pra comer, porque sei que ele também tem medo da morte. O Carnaval passou, mas não me levou, fiquei olhando minha vida real, minhas pessoas, fiquei olhando pra minha mãe, tão boa mãe, tão bom ser humano, fiquei olhando Carlito cozinhar, tão calmo cortando cada legume, interessado em nossa história. Olhei cada um lá de casa, entrei na água com a Sofia, caminhei com meu amor, cuidei dos meus animais, arrumei meus livros na estante. Esse foi o carnaval que passou e não me levou, não fui atrás da folia, fui atrás de mim!
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
sábado, 31 de janeiro de 2009
chove muito por aqui faz dias
chove tanto
que meu cérebro embolora
fico lenta
e meus pensamentos
são um mau cheiro
feito roupa úmida
guardada em gaveta
mas eis que o sol rompe
e começo a secar os miolos
e me estico feito gato à janela
coloco pra fora os cobertores
me afasto da televisão e dos doces
olho para meu rosto
reflexo no pote de cotonetes
estou envelhecendo, meu Deus
mas o bolor
não mancha mais meus traços
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
sono
onde estão os bons?
onde estão os que esticam braços e nos acolhem as mãos?
onde estão os que dizem: calma tudo acaba bem?
não estão não acaba bem!
onde estão os que prometeram ficar para sempre?
onde foram para sempre longe?
os bons partem
os bons dormem
os bons fogem
estou tão cansada
dormir me acalmaria
dormir de verdade
onde estão os que esticam braços e nos acolhem as mãos?
onde estão os que dizem: calma tudo acaba bem?
não estão não acaba bem!
onde estão os que prometeram ficar para sempre?
onde foram para sempre longe?
os bons partem
os bons dormem
os bons fogem
estou tão cansada
dormir me acalmaria
dormir de verdade
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
ano novo
outro ano passa
em mim por mim
passam dias apressados
passam gotas poucas
passa um ano
e fogos de artifício
e eu tento reter
o instante, esse mesmo
interessante e passa
e apesar de todo o barulho dos fogos
e das gentes e das champanhes estourando
silêncio em mim
para ver passar mais um ano
e escuto o som dos confetes que caem
e minha fantasia feita de papel
se desfaz com gotas
de suór
sem fantasia de princesa
nua caminho
caminho sozinha
e passa o ano
o vento
o barulho
as crianças passam
e eu, vulto, caminho nua a espera do novo
que venha o novo
que venha cobrir minha pele suór fria fogo de leve
domingo, 21 de dezembro de 2008
Deus
corro aos braços desse Deus que não vejo
não consigo ser como as pessoas e suas fés
mas corro a ele
querendo vê-lo e temendo o encontro
e encontro em simplicidade
sentado sobre uma pedra
pernas cruzadas
perco o medo
porque ele sorri
já me disseram que era sério
mas não é
ele sorri
e tem pena dos que sofrem
porque não era para ser assim
mas nós corremos para tudo o que não era ele
corremos para tanta coisa
e ele não era tanta coisa que faz sofrer
era só um sorriso
sobre uma pedra
e só pedia
para olharmos
olhamos e vimos pouco
e tão grande era o que mostrava
nós não conseguimos ver o grande
somos pequenos
precisamos melhorar nossa visão
e aprender no sorriso Dele.
não consigo ser como as pessoas e suas fés
mas corro a ele
querendo vê-lo e temendo o encontro
e encontro em simplicidade
sentado sobre uma pedra
pernas cruzadas
perco o medo
porque ele sorri
já me disseram que era sério
mas não é
ele sorri
e tem pena dos que sofrem
porque não era para ser assim
mas nós corremos para tudo o que não era ele
corremos para tanta coisa
e ele não era tanta coisa que faz sofrer
era só um sorriso
sobre uma pedra
e só pedia
para olharmos
olhamos e vimos pouco
e tão grande era o que mostrava
nós não conseguimos ver o grande
somos pequenos
precisamos melhorar nossa visão
e aprender no sorriso Dele.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Nada há
não há flores
nem caixas de chocolates
não há surpresas
nem abraços longos
não há lágrimas
nem festas
não há promessas
nem mãos cortadas
nem sangue misturado
nem almas entrelaçadas
apenas há o que houve
lembrado na carne
houve e nunca mais haverá
não pode ser
não é
e se não é
nada há
e
fim
nem caixas de chocolates
não há surpresas
nem abraços longos
não há lágrimas
nem festas
não há promessas
nem mãos cortadas
nem sangue misturado
nem almas entrelaçadas
apenas há o que houve
lembrado na carne
houve e nunca mais haverá
não pode ser
não é
e se não é
nada há
e
fim
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
"a vida é uma festa" meu poema clichê
"a vida é uma festa"
metáfora que toda a gente usa
então vou usá-la:
a vida é uma festa lotada
estou me divertindo
mas vem batendo o cansaço
me sento e observo
a todos
e de repente
as pessoas começam a partir
dão um adeus sorridente
ou um adeus cansado e vão
vão embora
a vida é uma festa, e todos partem
estou sentada olhando esta partida
estou sentada e atenta
todos partem
quando chegaram tinham a curiosidade se a festa seria boa
para alguns foi
para outros não
eu sempre fico
eles sempre vão
o salão vazio
as cadeiras sobre as mesas
um homem varre os restos
um outro toca um blues
já tirei meus saltos
o batom já foi na boca de alguém
o lápis escorreu dos olhos
a vida é uma festa
mas a festa acaba!
metáfora que toda a gente usa
então vou usá-la:
a vida é uma festa lotada
estou me divertindo
mas vem batendo o cansaço
me sento e observo
a todos
e de repente
as pessoas começam a partir
dão um adeus sorridente
ou um adeus cansado e vão
vão embora
a vida é uma festa, e todos partem
estou sentada olhando esta partida
estou sentada e atenta
todos partem
quando chegaram tinham a curiosidade se a festa seria boa
para alguns foi
para outros não
eu sempre fico
eles sempre vão
o salão vazio
as cadeiras sobre as mesas
um homem varre os restos
um outro toca um blues
já tirei meus saltos
o batom já foi na boca de alguém
o lápis escorreu dos olhos
a vida é uma festa
mas a festa acaba!
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