sábado, 9 de maio de 2009

aceita?


beterraba mancha meus dedos de vermelho
vermelho vermelho vermelho
é a cor dos meus cabelos
vermelho é o meio da melancia
mas tem sementes
mas tão sem poesia tão sem poesia que dá poesia
maçã tem verde
e tem vermelho
meio misturado tudo na mesma casca
e vê lá se não engasga
aceita?
não aceito!
tá bom, eu aceito!
mas você tem alguma esperança?
eu não tenho eu não tenho eu não tenho!

domingo, 26 de abril de 2009

Bom dia vó Maria


hoje amanheceu ensolarado
um friozinho outonal cheio de sol
e foi nesta manhã tão clara
que minha avó se levantou
disse bom dia à vida
e se foi
foi embora discretamente, discretamente viveu
foi embora sem dar trabalho, e sem dar trabalho viveu
foi embora forte e valente, tão forte e valente viveu
fechou os olhos verdes para este mundo

descansa vó Maria
não sei por que choro
morávamos tão longe
e agora tão perto estamos
que chego a sentir-te ao meu lado
enquanto escrevo, você sorri para mim
não sei por que choro
se já estás tão cheia de luz.

homenagem a Maria Conceição Lopes (Diamantina - MG)
* 26/10/1911 + 26/04/2009.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

passei o dia todo lendo um livro
passei o dia todo em silêncio
e quando fui me comunicar com pessoas reais
foi trágico

prefiro os livros

terça-feira, 31 de março de 2009

minha cabeça

ando triste
dormindo muito
fugindo de mim e de todos
dores de cabeça absurdas
dispara o coração quando toca o telefone e o microondas
medo das pessoas
irritada
falta chocolate
saudade da minha mãe
saudade de ser pequena
menina
com pai
menina
sem dor de cabeça

segunda-feira, 16 de março de 2009

recado que minha filha, de seis anos, me deixou

mãe mesmo de perto sinto saudade amorzinho

a amizade faz a gente sentir melhor pra gente ate você fica mal mas passa um bejinho até mais. ahaha pra mim esqueci um bjo e até ehehe agora sim

Sofia

sexta-feira, 6 de março de 2009

amor borboletas e segredos


eu acreditei no que me disseram
sobre o amor
as borboletas
e os segredos

eu fiz cara de choro
quando não me amaram
quando as borboletas caíram
e os segredos contados

eu me desesperei
quando partiu
você
céu sem borboletas
amor sem segredo
amor sem amado

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

E o Carnaval não me levou...


O Carnaval já passou, mas não me levou, eu estava tão longe de todo o batuque e colorido, mas não me senti infeliz por isso. O batuque esconde o barulho dos assaltos, do tráfico, das crianças que choram de fome de tudo. O colorido disfarça a chuva que leva a casa e a geladeira, deixando famílias sem nada. O Carnaval não me leva mais, não sei esquecer, não sei mais fingir. Não se trata de ser amarga, pelo contrário, sou feliz, mas não quero mais nehuma forma de exagero que me faça fugir. Não preciso de vendas, eu quero ver o velho que pede esmolas numa cadeira de rodas, não era para estar alí, fosse este uma país mais justo. Não preciso viajar de avião, eu quero passar de ônibus pelas favelas, porque alí está o real. Eu não uso mais a desculpa de que o animal foi feito pra comer, porque sei que ele também tem medo da morte. O Carnaval passou, mas não me levou, fiquei olhando minha vida real, minhas pessoas, fiquei olhando pra minha mãe, tão boa mãe, tão bom ser humano, fiquei olhando Carlito cozinhar, tão calmo cortando cada legume, interessado em nossa história. Olhei cada um lá de casa, entrei na água com a Sofia, caminhei com meu amor, cuidei dos meus animais, arrumei meus livros na estante. Esse foi o carnaval que passou e não me levou, não fui atrás da folia, fui atrás de mim!