terça-feira, 16 de agosto de 2011

fim de tarde fim da tarde


No fim de tarde vem a falta,
durante o dia me distraio com o sol, com as vozes das pessoas e suas risadas,
mas no fim da tarde sinto a ausência, porque o fim da tarde é fim,
tudo bem...é também começo, mas é começo da noite,
e a noite vem escura, e a solidão é sentida.
No fim da tarde eu me lembro de sentir saudade,
sua voz no telefone às vezes fria, às vezes apaixonada, às vezes confusa, às vezes chorada,
é só uma voz. Não há pele, respiração.
No fim da tarde tudo fica claro, apesar de ir morrendo o sol.
No fim da tarde eu entendo que nada vai tirar esse incômodo do meu peito,
essa dificuldade de engolir, inútil tentar.
No fim da tarde eu fico triste,
sentimental romântica brega estilo novela mexicana,
fico achando que minha vida perde o sentido...
E perde.



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ela sonhou que de tão livre
saiu de um frasco de cheirinho
e perfumou o mundo todo
flores e passarinho

ela sonhou que de tão livre
saiu no azul
e olhou nos olhos do liberto vermelhinho
e se encantou com
flores e passarinho

e se enroscou nos ramos e nos espinhos
e se esqueceu das flores e do passarinho
mas não chorou, tão acostumada estava
ao ninho...


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

delírio


dos olhos fechados a luz escorre
tenho febre
a luz incomoda minha tristeza
acordo assustada
não tenho os teus olhos
delírio de febre
calafrio
me abandono na cama
solidão necessária
olhos quentes de luz e lágrima

no escuro dos meus olhos bem fechados
eu vejo
e o que eu vejo é segredo

sábado, 16 de julho de 2011

não adianta fugir do amor


não adianta fugir do amor
ele está em teu pensamento
onde teu pensamento for

não adianta mudar de cidade
e nem de opinião
ele é lembrado num final de tarde
ou em uma fila qualquer pra comprar pão

fugir do amor
não vai acalmar teu coração magoado
não há reza que pare a dor
nem remédio pra desesperado

o amor, meu amor
está no teu peito, e por isso a dor
está na tua cabeça, e por isso a necessidade
está na tua alma, alma que a minha alma invade

quarta-feira, 13 de julho de 2011

um tempo sem poesia

estou vazia de versos
de um vazio que assusta
então melhor calar o poema

sábado, 9 de julho de 2011

eu chorei um pouco
estava caminhando sozinha
e não deixei lágrimas escorrerem
chorei sem som
secando os cantinhos dos olhos com a manga da blusa branca
mas mesmo que disfarçasse
algumas pessoas percebiam
não percebiam que eu estava chorando
mas percebiam que eu estava triste
porque eu estava bem triste

os olhos secos
as mãos geladas
a ponta do meu nariz (feio) bem vermelho
e a manga da blusa branca bem molhada

sexta-feira, 8 de julho de 2011

amor tem som de piano

escuto som de piano
som de piano é som de amor
uma melancolia no fundinho
feito perfume acabando que não acaba
depois vai ficando forte
o som do piano
e o amor lá dentro se encoraja
mas dentro de onde está o amor?
não tem lugar o amor
não tem direito o amor
o mundo é triste
as pessoas estão tristes nas ruas
com a falta dele, o amor
mas tem som de piano o amor

e eu preciso ter calma
para não chorar da falta de amor
e eu preciso resumir minha existência
na última carícia
do meu triste amor

para não chorar da falta de amor

(Poema escrito e inspirado em "Última Carícia", no piano com Milton Rafael Spera Castro)